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Milhas aéreas viram moeda de troca para cinema, shows e até compra de geladeira

RIO - Voar com milhas acumuladas em viagens anteriores ou com compras feitas com cartão de crédito deixou de ser a única opção para os clientes dos programas de fidelidade das principais companhias aéreas do país. As milhas tornaram-se uma verdadeira moeda de troca. Com elas já é possível comprar ingressos para ir ao cinema e a shows, adquirir geladeiras e móveis para mobiliar a casa e até fazer doações a instituições de caridade.
Nesse novo mercado, TAM e Gol travam uma briga paralela à disputa pela venda de passagens. Seus programas de fidelidade cresceram e deram origem a empresas independentes: Multiplus e Smiles. O sucesso da estratégia é tamanho que essas empresas tem se mostrado mais rentáveis que as aéreas que a criaram e que ainda mantêm seu controle. A TAM tem 72,85% da Multiplus e a Gol tem 57,3% da Smiles. Ambas acumulam prejuízos em seus balanços, enquanto as duas novatas exibem resultados positivos.

A primeira a inovar nesse segmento foi a TAM, que criou a Multiplus em 2009. A Smiles surgiu como empresa independente apenas em 2012. Hoje, a Multiplus tem 460 parceiros e 12 milhões de participantes. A Smiles fica atrás nos números. São 9,7 milhões de participantes e 215 parceiros, incluindo outras aéreas como a Air France e a espanhola Iberia.

Ambas funcionam da mesma forma: o cliente acumula pontos (no caso da Multiplus) ou milhas (no caso da Smiles) ao usar o serviço ou comprar produtos nos parceiros da rede. Esses pontos ou milhas vão para uma conta única e podem ser resgatados para uso dos serviços ou aquisição de mercadorias de outros parceiros.

As primeiras parcerias foram fechadas com empresas relacionadas ao setor de turismo, como agências de viagens, hotéis e locadoras de automóveis. Depois vieram as parcerias com o varejo. Quem pretende aproveitar o calor para trocar de ar-condicionado, por exemplo, não precisa desembolsar um tostão se conseguir acumular 68.900 pontos no Multiplus, que tem parceria com o Ponto Frio. No Smiles, é possível comprar uma geladeira por 132.930 na Magazine Luiza.

— O resgate por passagens aéreas tem um componente emocional e racional. A pessoa quer se dar um presente e ao mesmo tempo percebe a viagem como algo de valor, que vale a pena ser trocado pelas milhas. Mas aos poucos percebemos que o varejo também tem sido procurado. O participante pode acumular pontos ao adquirir produtos nos parceiros e também trocar por produtos nessas lojas. Nossa intenção é dar maior amplitude na hora do resgate — afirma Flávio Vargas, diretor financeiro de Relações com Investidores da Smiles.
Para ele, mudanças recentes no resgate de pontos da Gol, a principal parceira do Smiles, pode acabar levando mais pessoas a trocarem milhas por produtos no varejo. Pelas novas regras da Gol, ganha mais milhas quem pagar mais pelo bilhete. Logo, quem voa com as passagens mais baratas vai gastar mais tempo para juntar a milhagem que acumulava antes, um estímulo a trocá-la por itens que consomem menos milhas que o bilhete aéreo. Antes a pontuação dependia do trecho voado.

De apoio ao Doutores da Alegria a carnaval em Salvador

Nessa nova realidade dos programas de fidelidade, também é possível comprar produtos em farmácias (com exceção de remédios) ou garantir o lazer do fim de semana. Com 1.038 milhas da Smiles compra-se um ingresso para assistir a filmes nas salas de cinema do grupo Severiano Ribeiro, Kinoplex e UCI. O inconveniente é que o ingresso é enviado pelo correio. Ou seja, o participante que quiser ir ao cinema no sábado, tem que fazer o resgate das milhas no site da Smiles no início da semana.

Na Multiplus também já dá para trocar pontos por alguns momentos de felicidade para crianças hospitalizadas. Com 2.100 pontos, ficam acertadas duas visitas por semana da ONG Doutores da Alegria ao longo de um ano inteiro a crianças em hospitais públicos de Recife ou São Paulo.

Mais recentemente, a ênfase das empresas têm sido em promover experiências exclusivas para seus clientes. A Multiplus lançou esta semana a plataforma “resgates incríveis”. A primeira oferta deste novo produto foi o que empresa chamou de “O melhor carnaval da sua vida”. Por 60 mil pontos, os apaixonados por Carnaval puderam resgatar pacotes que incluíam passagem aérea, traslado e abadás para trios elétricos e camarotes em Salvador. A viagem será feita em um avião fretado, que também transportará famosos convidados pela jornalista de celebridades Joyce Pascowitch. Foram ofertados seis pacotes, com direito a acompanhante, que esgotaram em menos de um minuto.

— A Multiplus já programa outras ações inéditas, com produtos e experiências únicas para os participantes da rede — diz Alexandre Moshe Parczew, diretor de Marketing e Vendas da Multiplus.

A Smiles não quer ficar para trás e também vem inovando nos lançamentos. Este ano clientes Smiles poderão usar milhas na compra de ingresso para shows de Roberto Carlos no Brasil. A compra será feita a partir de abril pelo site www.ingressorapido.com.br/smiles e cada cliente poderá comprar até seis ingressos por show. Ainda não está definida a quantidade de milhas por ingresso.

Passagens aéreas ainda são preferência

Apesar do amplo leque de possibilidade de resgate, as passagens aéreas ainda são a preferência dos clientes. Elas representam 90% do total de pontos resgatados no Multiplus e 98% no Smiles. Atentos a esse comportamento, as duas empresas também já permitem a compra e renovação de milhas que expiraram.

A pioneira nessa frente foi a Smiles, que em novembro passado anunciou a possibilidade de compra de milhas pelo sistema PayPal. Pelas regras do programa, cinco mil milhas saem por R$ 50, por exemplo. O Smiles também passou a transmitir a transferência de milhas para terceiros, limitadas a 40 mil milhas. Antes, era possível apenas emitir o bilhete no nome de outra pessoa. Essas transações também contribuem para inibir o comércio ilegal de milhas.
Entre dezembro e janeiro foi a vez da Multiplus anunciar novidades nessa área. Os participantes podem comprar até 50 mil pontos por ano, sempre em lotes de mil pontos. O valor varia com a quantidade escolhida e eventuais promoções. E os pontos expirados nos últimos 90 dias podem ser renovados mediante pagamento. As operações são feitas por meio do PagSeguro.

Parczew evita falar em competição entre as duas empresas.

— A decisão de promover facilidades como compra e renovação de pontos tem o objetivo de contribuir com a experiência dos participantes. Para a Multiplus, é fundamental promover o engajamento do participante com a rede, uma vez que sabemos que o participante que realiza seu primeiro resgate, acumula 60% mais pontos do que aquele que nunca resgatou — disse.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/milhas-aereas-viram-moeda-de-troca-para-cinema-shows-ate-compra-de-geladeira-11703366#ixzz2uLW9pONN
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.


Fonte: O Globo - Online
25/2/2014

Curso técnico acelera entrada no mercado de trabalho, dizem entrevistados

Ainda durante o ensino médio, o jovem Henrique Baron decidiu fazer o curso técnico de automação industrial, em Caxias do Sul (RS), e concluiu que a qualificação foi fundamental para abrir as portas do mercado de trabalho. A opinião de Baron é compartilhada por grande parte dos entrevistados que fizeram parte de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), encomendado ao Ibope. De acordo com o estudo divulgado hoje (25), 90% dos entrevistados acreditam que pessoas com formação em curso técnico têm mais oportunidades no mercado de trabalho. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas a partir de 16 anos em 143 municípios.

Dos entrevistados, 53% apontaram o ingresso mais rápido no mercado de trabalho como uma das três principais razões para fazer um curso profissional. Em relação aos salários, 82% concordam total ou parcialmente que os profissionais com certificado de qualificação profissional têm salários maiores do que aqueles que não têm um diploma.

A melhor remuneração também foi citada por Henrique Baron que, aos 16 anos, decidiu seguir os passos do avô e do pai, que cursaram o ensino técnico. “Percebi que o curso me colocou no mercado de trabalho de forma mais privilegiada. A qualificação é um grande pré-requisito para conseguir um emprego. E a remuneração é maior, também”, relatou Baron.

Hoje, com 20 anos, o jovem ingressou no ensino superior no curso de engenharia mecânica e relata que o ingresso no mercado de trabalho proporcionado pelo ensino técnico se traduz em benefícios na continuidade dos estudos. “Ao chegar no ensino superior, quem tem curso técnico já vem com um conhecimento prático e, então, tem mais facilidade ao longo do curso. E também começa a vida profissional mais cedo. O tempo de experiência maior é algo que conta muito no momento de buscar emprego”, explicou.

Apesar de as pessoas ouvidas na pesquisa acreditarem na educação profissional como um caminho para um futuro melhor, ainda é baixo o número dos que buscam esse tipo de qualificação. De acordo com a pesquisa, apenas um em cada quatro brasileiros já frequentou ou frequenta algum curso de educação profissional. A falta de tempo para estudar é o principal motivo apontado pelos entrevistados (40%), seguido da falta de recursos para pagar os cursos (26%) e a falta de interesse (22%).

O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Luchesi, apontou iniciativas para superar os entraves apontados pelos pesquisados. “Um dos objetivos do Senai é cada vez mais avançar em cursos semipresenciais, que daria uma capacidade de abrangência maior de educação profissional. Cada vez menos se vai ter a percepção de falta de recursos porque muito cursos são gratuitos, como os do Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego]”, disse

Entre os jovens de 16 a 24 anos, a pesquisa aponta que a maioria está no ensino superior (18%), seguido do ensino médio (15%) e do ensino fundamental (5%). O ensino profissional é opção de apenas 3% deles, mesmo percentual dos que fazem ensino médio vinculado ao técnico.

“Historicamente, a educação profissional não foi prioridade na educação do país e agora isso está mudando. Nossa lógica era voltada para a universidade, mas 80% dos jovens que saem da escola não vão para a universidade e eles precisam de uma oportunidade para ingressar no mercado de trabalho”, disse Rafael Luchesi.

A maior parcela dos que cursaram ou cursam o ensino profissionalizante estudaram em entidades do Sistema S, 37% estudaram na rede privada e 20%, na rede pública. A expansão do ensino técnico é uma das prioridades do governo federal que criou, em 2011, o Pronatec. As entidades do Sistema S são as principais parceiras do governo no Pronatec.

Fonte : Agência Brasil
25/02/2014 11h43

Plenário pode votar novas regras para punir devedor de pensão alimentícia

Deputados poderão decidir nesta semana se o devedor de pensão alimentícia será preso em regime fechado, como ocorre atualmente, ou semiaberto. A mudança é um dos pontos polêmicos do projeto do novo Código de Processo Civil.

A votação das regras sobre prisão do devedor de pensão alimentícia é o destaque do Plenário nesta semana. A matéria consta de emenda da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) ao projeto de lei do novo Código de Processo Civil (CPC - PL 8046/10) e tem o apoio do relator, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

A emenda retoma trechos do projeto original do Senado para o código, que mantém a prisão fechada para o devedor de pensão até o pagamento dos atrasados. Já o texto-base aprovado pela Câmara em novembro prevê o regime semiaberto para quem não pagar a pensão e for condenado pelo juiz a regularizar a situação.

Confira os principais pontos do novo CPC

Também consta da emenda a possibilidade de a dívida ser protestada em cartório, o que implicará a inclusão da pessoa nos cadastros de proteção ao crédito. Outra mudança em relação ao código atual é a previsão expressa de que o devedor da pensão terá de ficar separado de outros presos no período em que ficar detido, que varia de um a três meses.

Marco civil da internet
Depois de um adiamento pedido por vários partidos, os deputados poderão começar a debater o marco civil da internet (PL 2126/11, do Executivo). A votação do texto, no entanto, só iniciará depois do Carnaval. A proposta tranca a pauta das sessões ordinárias do Plenário, juntamente com outros cinco projetos.

Entre os pontos polêmicos do relatório do deputado Alessandro Molon (PT-RJ) está a neutralidade de rede, segundo a qual os provedores não poderão tratar com preferência os pacotes de dados de uns em detrimento de outros usuários.

A obrigatoriedade de usar data centers localizados no Brasil para armazenar dados de navegação realizada no País também tem a discordância de partidos da oposição, que alegam aumento de custos para as empresas e repasse ao usuário final da conexão.

Simuladores
Em sessão extraordinária marcada para terça-feira (25), o Plenário poderá analisar o Projeto de Decreto Legislativo 1263/13, do deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR). O projeto suspende os efeitos de resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que exige o uso de simuladores pelas autoescolas.

Marcelo Almeida afirma que, além estimular a formação de um cartel de empresas e deixar a carteira de motorista mais cara, o uso do simulador não vai reduzir a violência no trânsito.

Deputados e autoescolas dizem que exigência de simulador é arbitrária
Já o deputado Henrique Fontana (PT-RS) defende o uso dos simuladores. “Nós podemos submeter o motorista aprendiz a um conjunto de situações de risco que ocorrem no trânsito, na vida real, e que não poderíamos submeter num teste prático nas ruas. Por exemplo, testar e treinar como o motorista deve se comportar diante de uma pista com chuva, de um ambiente com neblina ou se, de uma hora para outra, um pedestre atravessa na sua frente.”

Ciência e tecnologia
Outra votação que pode ocorrer na terça-feira é da Proposta de Emenda à Constituição 290/13, da deputada Margarida Salomão (PT-MG), que muda vários dispositivos constitucionais para melhorar a articulação entre o Estado e as instituições de pesquisa, com o objetivo de estimular o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação.

Uma das novidades é a ampliação da lista de entidades que poderão receber apoio financeiro do poder público. Atualmente, apenas as atividades universitárias de pesquisa e extensão podem receber esse apoio. Com o texto, além das universidades, também as instituições de educação profissional e tecnológica poderão receber recursos.

O relator da proposta, deputado Izalci (PSDB-DF), ressalta que a PEC também poderá beneficiar as empresas inovadoras, por meio de parceria com pesquisadores. "A inovação está na empresa. Então, a gente precisa ter essa flexibilidade de as empresas utilizarem equipamentos públicos e de colocar os pesquisadores dentro das empresas. Inclusive para que os pesquisadores possam ser melhor remunerados."

Outros projetos
Confira os demais projetos que estão na pauta do Plenário:

PL 2201/11, do Ministério Público da União, que cria a gratificação por exercício cumulativo de ofícios dos membros do Ministério Público da União;
PLP 328/13, do Poder Executivo, que destina a multa extra do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ao programa Minha Casa, Minha Vida;
PL 6565/13, do Executivo, que concede porte de arma para agentes penitenciários;
PL 6738/13, do Executivo, que cria cotas para negros em concursos públicos;
PL 6655/13, do Executivo, que cria cargos no Ministério da Cultura;
PL 6809/13, do Executivo, que reabre, até 31 de maio de 2014, o prazo para as instituições de ensino superior aderirem ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies); e
PDC 1295/13, que contém o acordo entre o Brasil e a Organização Internacional para as Migrações quanto aos privilégios e imunidades da organização no País.
Íntegra da proposta:
PL-8046/2010
PL-2126/2011
PEC-290/2013
PDC-1263/2013
Reportagem – Eduardo Piovesan e Paula Bittar
Edição – Pierre Triboli

Fonte : Agência Câmara
24/02/2014 - 08h27

Projeto que institui residência pedagógica para professores deve ser votado na terça

Em reunião na terça-feira (25), às 10h, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) deverá examinar, em caráter terminativo, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 284/2012, que institui a residência pedagógica para os professores da educação básica.

A discussão do projeto, de autoria do senador Blairo Maggi (PR-MT), teve início no último dia 18. A proposição tem como relator o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), favorável à proposta com emenda.

O projeto altera o artigo 65 da Lei 9.394/1996 - que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional – e determina que aos professores habilitados para a docência na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental será oferecida a residência pedagógica, etapa ulterior de formação inicial, com o mínimo de 800 horas de duração, e bolsa de estudo.

Exames oftalmológicos

Também em caráter terminativo, a comissão deverá examinar ainda o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 165/2010, que torna obrigatória a realização de exames oftalmológicos e auditivos nas escolas de ensino fundamental da rede pública.

O projeto é oriundo de sugestão apresentada pela estudante Martha Ramires de Souza, na 1ª edição do Parlamento Jovem Brasileiro, realizado pela Câmara dos Deputados, em 2004.

O relator do projeto é o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), favorável à proposta na forma de substitutivo oferecido pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A discussão do projeto teve início no último dia 11.

Fonte : Agência Senado
24/02/2014 - 10h04

Uma população com dinheiro, mas sem banco

SÃO PAULO - Um novo tipo de público virou alvo prioritário de empresas que oferecem cartões de crédito ou pré-pagos: são os chamados desbancarizados, que não têm conta em banco. Eles representam um universo de 55 milhões de pessoas acima de 18 anos, ou 41,9% da população brasileira acima dessa faixa etária, que soma 131,09 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE. O interesse por essa turma tem um motivo: juntos, possuem renda anual de R$ 665 bilhões para gastar, equivalente ao PIB de países como Chile, Cingapura e Hong Kong.

- Além de mais seguros do que carregar dinheiro vivo, os cartões são um símbolo de status para essa parcela da população rejeitada pelos bancos. Mas a falta de educação financeira continua sendo um fator de risco, já que há possibilidade de se cair numa ciranda financeira com o uso do rotativo - avalia o professor Samy Dana, da FGV-SP.

Os desbancarizados são autônomos, donas de casa, empregados sem carteira assinada, profissionais liberais. Gente que nunca viu necessidade de abrir conta em banco e pagar tarifas que vão de R$ 9,50 a R$ 65 por mês, segundo a associação Proteste. É o caso da dona de casa Rosemary Aparecida Destro, 33 anos, moradora de Sorocaba (SP). Ela afirma que nunca teve necessidade de ter conta corrente num banco.

- Já tive uma conta salário, porque arrumei um emprego com carteira assinada. Quando pedi demissão, fechei a conta e nunca mais abri. Não sinto falta. Para fazer minhas compras fiz um cartão de crédito e pago R$ 6,99 ao mês se usar o cartão. Se não usar, não pago. Se gastar além do limite dele, pago taxa extra de R$ 15.

Concorrência acirrada

Entre os que preferem se manter longe dos bancos também estão pessoas com o perfil do motorista de caminhão Jarbas Rodrigues Santos, de São Paulo. Autônomo, ele conta que pediu um empréstimo de R$ 3,5 mil no banco em que tinha conta havia muitos anos para reformar seu veículo. Ouviu do gerente que "as coisas não eram tão fáceis assim". Fechou a conta e partiu para um cartão como o de Rosemary.

- Entre os desbancarizados há ainda gente excluída do sistema financeiro porque os bancos não chegam até eles. Também há aqueles que ficaram com o nome 'sujo' e fecharam a conta porque acham que a instituição não fez nada para ajudar. E existe uma fatia de desbancarizados com alta renda alta que simplesmente não confia nos bancos - diz Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, que traçou o perfil dessa turma.
No mercado de cartões, o movimento de empresas de diversos setores oferecendo plásticos a esse público é crescente. Com a decisão do Banco Central, no fim de 2013, de regulamentar os pagamentos móveis no país, os especialistas avaliam que a concorrência vai aumentar ainda mais.

Uma das maiores e mais antigas emissoras de cartões é a Sorocred, que nasceu como uma gestora de crédito para lojistas, em Sorocaba (SP), na década de 90. Hoje, é uma empresa financeira que já emitiu 5 milhões de cartões de crédito, com foco em pessoas que não podem comprovar renda. O presidente Luiz Carlos do Nascimento diz que grande parte é de desbancarizados. O cartão pode ser feito em lojas parceiras ou via call center com recebimento pelo correio. Paga-se R$ 6,99 por mês para usar o cartão. Quem não usa o cartão no mês, não paga. Mas quem usa o rotativo, paga juro de 15% mensais. A Sococred tem parceria com a bandeiras Cielo e Redecard, o que ampliou o uso para mais de 2 milhões de estabelecimentos.

- Nossa inadimplência está em 2,6%. Já foi maior, mas temos feito campanhas de educação financeira para uso de forma consciente - diz.

Sem restrição a inadimplente

No último ano, surgiram muitas empresas oferecendo os cartões pré-pagos. Na Super, que entrou para valer nesse mercado em 2013, para ter um cartão pré-pago basta ser maior de idade e ter CPF. Não há restrição para quem está na lista dos inadimplentes, diz Luiz Almeida, vice-presidente da empresa. Paga-se R$ 4,90 pelo uso do ContaSuper, que dá direito a compras, recargas, pagamento de contas e transferências para outras contas da empresa. Para fazer DOCs e TEDs, o custo é de R$ 5,90 por operação. A empresa já emitiu 100 mil cartões que movimentam R$ 100 milhões. Em cinco anos, quer chegar a um movimento de R$ 6 bilhões.

Outra empresa desse time, que entrou no mercado em janeiro do ano passado, é a AcessoCard. O cartão pré-pago permite acesso a compras pela internet e pode ser carregado para dar mesada ao filho ou à mãe, ou ainda pagar os empregados. Custa R$ 14,90 para emissão e cobra-se R$ 2,50 para cada recarga, que pode ser feita em supermercados, farmácias, postos de gasolina e até nas agências do Bradesco.

- Se a pessoa não quiser mais usar, pode se desfazer sem ter que fechar a conta como num banco - afirma Bernardo Faria, diretor executivo da Acesso Card.

O banco múltiplo Bonsucesso criou há pouco mais de um ano o cartão pré-pago Meo, que já possui 190 mil plásticos emitidos. Descobriu que o público do cartão tem renda média de R$ 3 mil e que 77% das compras feitas com o cartão foram pela web. O cartão pode ser obtido pela internet e para ativá-lo paga-se uma taxa de R$ 9,90.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/uma-populacao-com-dinheiro-mas-sem-banco-11690634#ixzz2uEoR6bzq
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Fonte: O Globo - Online

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24/2/2014

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